terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Espíritos - parte II

O sonho


     Pois bem, já estava cansada de visitas inesperadas. Ainda mais sendo de onde nem sei. Ou o quê realmente elas são, ou quem as mandou. Se é que tem como mandar em coisas assim, se há como elas serem mandadas. Tinha dúvidas de sua origem, portanto, não me sentia tão animada em recebê-las. Apesar de toda a minha curiosidade, algo em mim se recusava a gostar e me sentir satisfeita a ponto de atingir o êxtase com o 'fato'. Me sentiria uma pecadora se gostasse, se sentisse prazer com isso. 
     Gostaria de ter coragem para estudar o assunto. Porém, não queria ser cobaia de mim mesma e nem de outros. Fiquei calada no que se referia a minha curiosidade. Quando acontecia de eu comentar com alguém, o fazia demostrando pleno controle sobre o 'fato'. Uma coisa era certa, acabava quando eu dizia que não queria mais. Este foi o engano, me foi dada a impressão de ser algo não-ruim. 
    De qualquer forma, filha do meu pai e da minha mãe que sou, aprendi a desconfiar de tudo, de todos. Assim, não entreguei os pontos. Eu confio em mim e olhe lá. Então veio o golpe baixo. Semanas, meses de ausência e sem esperar a tranquilidade. Numa noite como outra qualquer do passado, presente e do futuro, eu tive um sonho. Um sonho revelador, encantador e - não se esqueçam, misterioso. O mistério me encanta, como se tivesse perfume de flores de um jardim mais que suspenso. Cheio de cores e sabores. Repleto de magia, sedução.
     Havia um caminho em volta de uma montanha e pessoas que o pegavam por trilha. Era como num desenho. Este caminho circulava toda a imensa montanha rochosa e quanto mais andávamos mais o caminho se estreitava. Éramos um grupo formado por homens e mulheres. Na metade do percurso, quando a metade exata do grupo já havia avançado tal trecho, chegou a minha hora de passar  e foi quando o vi pela primeira vez.
     Alguém, aos meus olhos muito formoso, belo. De rosto iluminado. A força da beleza era pulsante em meus poros. Era difícil desviar o olhar. Fui tomada da mais incrível emoção da minha vida. E eu o amei naquele instante com toda a força de minha vontade que nem sabia existir.
    Tudo ocorrendo em milésimos de segundos e parecendo uma eternidade. Era como se eu visualizasse toda a vida que ainda não havia vivido. Uma ânsia imensa de algo desconhecido por alguém que me era desconhecido. Eu sabia que era um sonho e ele também. Então me disse que eu não me lembraria dele nem do sonho até o dia em que o conhecesse de verdade. E, ao lembrar do sonho, saberia que era ele.
     Quando eu acordei, sabia que sonhara com algo importante, a sensação de pleno prazer estava aqui, latente. Eu só não sabia que, apesar de ser verdadeiro e mútuo o sentimento, a fraqueza faria do mesmo uma armadilha cinco anos mais tarde.
                                                                  continua . . .

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