quarta-feira, 18 de abril de 2012

Na espreita - parte dois

     No fundo da casa ficava a cozinha. Nela havia uma pequena mesa com uma cadeira, um fogão, uma pia minúscula e a geladeira. David olhou em volta como se procurasse algo e, depois de um suspiro de derrota, abriu a porta da geladeira. Dentro dela não havia prateleiras ou qualquer outra coisa como alimentos, por exemplo. Havia uma escada em espiral que levava a um compartimento secreto subterrâneo.
    Local sombrio este, pensava David. Vagarosamente, desceu os degraus. Ficava nervoso com o ranger que os mesmos faziam. Não adiantava arrumar, pregar, lixar ou qualquer outra coisa. A escada continuaria assustadoramente barulhenta. David nem se lembrava o que sentia: medo ou raiva.
    As paredes do porão, ou compartimento secreto subterrâneo, eram cobertas por uma vegetação acinzentada, os galhos pareciam secos e estavam cobertos por folhas também cinza esverdeadas. Por vezes podiam-se ver coisas se movendo entre os galhos, porém sem que pudessem ser definidas com  exatidão. David, às vezes achava que via lagartas, baratas ou olhos com pernas minúsculas passeando pelas paredes.
    Sentou-se na única cadeira do lugar. Era de metal, fria como gelo. Ficava de frente à câmara que segredava a maior loucura que ele poderia imaginar. Ficava sentado por horas, ali, a titubear sobre o que fazer. Mesmo que tudo tenha se tornado tão simples, ao longo dos anos, David ainda tinha dúvidas.
    Por fim, deu-se por vencido. Levantou-se e caminhou até a câmara. A mesma era de cobre e tinha um tampo de vidro através do qual se podia ver o que havia dentro. Nunca se acostumara, para ele não passava de um caixão. E, como todos sabem, caixões são para enterrar os mortos...

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